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2011, March 16

Apesar de toda a imprensa noticiosa, assim como parte de seu público, estarem esperando uma desgraça maior que o terremoto e a tsunami que atingiram o Japão, essa é uma possibilidade pequena na realidade.

Comparações com Chernobyl, o maior acidente nuclear da história, não param de passear nos principais meios de comunicação. Mas será que é pra tanto? Não é bem assim. É claro que existe um risco de uma explosão contaminante, que crie uma situação de alto risco de contaminação no país e em outras partes do mundo posteriormente, mas a situação tem sido muito mais controlada até o momento.

Uma cena, que é um dos únicos registros de Chernobyl pós-explosão, é algo que jamais seria imaginável na situação japonesa: um reporter subindo no alto do prédio semi-destruído e mostrando o “ground zero” da explosão:

Não é necessário dizer que isso é impossível de ser visto hoje.

Na usina de Fukushima estão 50 trabalhadores, com as devidas roupas de proteção, que lhes permite suportar algum tempo sob radiação mais intensa que o recomendado. Provavelmente trabalhando em turnos nas áreas mais afetadas, eles estão lá para garantir que haja bombeamento de água para os reatores, mantendo-os resfriados.

Aqui é onde reside o risco: se algum dos reatores chegar ao meltdown por superaquecimento, haverá uma liberação de grande quantidade de material radioativo - Iodo 131 e Césio 137 - que ao serem lançados na atmosfera podem chegar a outras regiões do Japão e, segundo cálculos, avançar com as correntes de ar no norte e depois avançar pela costa oeste dos EUA.

Ainda assim, há mais uma diferença entre os dois casos: em Chernobyl, quatro reatores ficavam juntos e todos foram expostos a atmosfera após o acidente; já em Fukushima, há 6 reatores, todos separados.

Até o momento as notícias dão conta de que o armazenamento de combustível usado no reator 4 havia sido exposto mas estava ainda sob controle; o reator 2, um dos mais atingidos, estava instável; os reatores 1 e 3 estariam retornando aos níveis normais e, por fim, os outros dois não foram afetados. Tudo isso ocorreu por conta de explosões que danificaram partes de uma ou mais, das três, camadas de proteção que existem em torno de cada reator, fora o próprio prédio.

Não bastassem todos esses esforços, uma zona de 20km de raio já foi decretada para evacuação total, outros 10km de evacuação recomendada e “zona-de-quarentena”. Tudo isso para que se garanta o mínimo de risco para a população.

Mais leituras sobre o assunto e fontes de informações desse post:

http://www.bbc.co.uk/news/world-asia-pacific-12755739

http://dvice.com/archives/2011/03/video-this-is-w.php

http://scienceblogs.com.br/brontossauros/2011/03/fukushima.php

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