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2011, February 09

Todos conhecem muito bem como funciona a pirataria de software e músicas, séries, filmes. Todos também sabem que existe uma outra modalidade, de pirataria de bens físicos, como aquele monte de eletrônicos, imitações de marcas conhecidas e geralmente fabricadas em algum lugar da China, Taiwan ou adjacências.

Mas não são apenas produtos completos que sofrem pirataria, mas também componentes, como chips usado na manufatura de eletrônicos. Aí é que mora o perigo: comprar um mp3 player meia boca no máximo pode te dar uma dorzinha de cabeça e te fazer perder o que gastou nele, mas o uso indiscriminado de componentes falsificados pode inclusive causar danos graves se forem usados, por exemplo, em sistemas embarcados de veículos.

Para tentar evitar esse tipo de falsificação no nível físico, pesquisadores da Fraunhofer (ALE) criaram um sistema que utiliza características únicas de circuitos, pequenas variações que ocorrem durante o processo de fabricação, que são detectáveis apesar de não afetar o funcionamento dos equipamentos. Por exemplo, em um circuito impresso, algumas áreas tem uma pequena diferença de espessura, ou condutividade, entre outros.

Todos esses pequenos detalhes podem ser usados como “Funções físicas não-clonáveis” (PUFs na sigla em inglês) que servem como impressões digitais para esses componentes. Com a integração de um módulo PUF diretamente no chip e em seu núcleo um circuito medidor, como um oscilador por exemplo, que gera um sinal que pode ser medido por aparelhos externos, possibilitando a criação de chaves únicas de cada componente e que não dependem de armazenamento no hardware.

Como essas chaves são relacionadas diretamente com as características físicas do componente — em um dado momento, inclusive — se torna virtualmente impossível cloná-lo, já que qualquer ataque invasivo já o alteraria, gerando na sequência uma chave diferente a partir de um mesmo circuito. 

No início de março, durante a conferência Embedded World, os pesquisadores vão apresentar os primeiros protótipos e, a partir deles, como podem tornar realidade o uso desses sistemas como prevenção contra pirataria e falsificações.

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