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2011, January 28

O incrível telescópio espacial Hubble que já está velho de guerra, com seus 19 anos - 4 a mais que o previsto inicialmente e que devem aumentar ainda mais 2 - foi levado aos seus limites de detecção, pelos cientististas a cargo dele, conseguindo assim mais um feito na história da astronomia.

Essa imagem, captada pela câmera mais poderosa do telescópio, a Ultra-Deep Field, tem nessa galáxia em destaque o atual recorde de distância já atingida: cerca de 13.2 bilhões de anos-luz, o que significa que o estado em que a vemos é o que ela se encontrava quando o Universo tinha apenas 3% da sua idade.

Além de quebrar o recorde anterior em cerca de 150 milhões de anos-luz, essa descoberta é importantíssima na astronomia porque gera dados muito importante para o estudo de como se deu a formação de estrelas e galáxias no início do Universo.

Outro ponto importante é que o Hubble prova que, mesmo próximo do fim de sua vida, ainda pode fazer contribuições extremamente importantes para a ciência. Ele foi criado e planejado para poder receber manutenções (Servicing missions) de tempos em tempos, mas mesmo assim superou todas as expectativas de tempo e de capacidades previstas por seus idealizadores.

Além disso, para se ter uma ideia de quanto este foi um avanço: a distância é medida pelo cálculo do redshift, um efeito que aumenta o comprimento de onda da luz tornando-a aparentemente mais vermelha (até sair do espectro visível) e que ocorre devido ao afastamento das galáxias em relação a nós. Este valor, chamado simplesmente de z, foi sendo detectado em níveis cada vez maiores:

  • antes do Hubble: até z~=1
  • Hubble com a câmera Deep Field (1995): até z~=4
  • com as Advanced Camera e Ultra-Deep Field (2002): até z~=6
  • com as Near-Infrared Camera e Multi-Object Spectrometer: até z~=7
  • com as WFPC3/IR (Wide Field Planetary Camera/InfraRed): inicialmente até z~=8 e agora, essa candidata a z~=10

Após a última missão de manutenção, realizada em 2009, é esperado que o Hubble se mantenha até 2013 quando a NASA lançará seu sucessor: Telescópio James Webb, com equipamentos ainda mais modernos e sensíveis para enxergar ainda mais longe, ainda mais para o passado. Esse novo telescópio é esperado que alcance valores de z=15 ou mais, sendo que a luz da época em que estrelas estavam se formando inicialmente é esperada para ser encontrada entre 100 e 250 milhões de anos após o Big-Bang, o que equivale a z exatamente entre 30 e 15.

Agora, resta esperar novas observações do telescópio velho de guerra, enquanto não é lançado o novo, para mais descobertas impressionantes como essa.

(mais sobre: redshift, história do Hubble)

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